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terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Charro Sendero - Marina Branquinho - Café do Buk

 


Charro Sendero
Ele me encontrou
Declamando poesias
Então me chamou
Pra ser sua companhia
Num grupo de gente
Afetuosa
Inteligente
Generosa
Gente
Carente
Gente inocente
Gente forte
Gente de sorte
Gente que ama
Erra-se engana
Gente como a gente
Que não importa o que invente
Brinca, troca
Retoca
Acolhe com carinho.
Luxúria virou outro lar
Onde se pode amar
Chorar, rir, brincar
Ir e voltar
Acertar, errar
Flertar
Bobagens falar
Em tudo de bom acreditar.
E nesse caminho
De flores, mato e passarinho
Virei Queen, que carinho!
Marina Branquinho

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Eu te amo - Chico Buarque e Tom Jobim - Luxúria Cult

 



Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

Chico Buarque e Tom Jobim
Post Rosângela Lopes

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Conto Erótico - Eloisa Prado (Café do Buk Original)






Durante todo o dia imaginei esse encontro, foi quase um planejamento, e eu me vesti pra isso. Eu sabia que te encontraria, eu te busquei em olhares, em sorrisos, em um tom de voz e até mesmo no andar despretensioso.
E ali, naquele estacionamento te encontrei.

Presa fácil! Descuidado e sentado ao volante com o carro desligado.
Apesar de ser noite, a luz refletia em seu rosto destacando uma barba perfeita, cerrada e bem delineada que fazia o contorno suave na sua boca, cabelos bagunçados, sua pele era de um tom dourado.
Observei suas mãos que suavemente deslizavam pelo vidro da janela enquanto finalizava uma ligação.

Eu me aproximei, decidida de que;
Hoje eu escolhi você. Hoje te fiz minha opção.

As marcas que me foram deixadas pelo tempo, agora não importam. Prefiro imaginar as marcas que você em pouco tempo deixarás em mim.

Quero-te apenas hoje e por alguns instantes.

Não quero saber seu nome e nem de onde vem, quero agora que me leve por caminhos esquecidos e que só podem ser trilhados por meio de prazer.
Quero que me deseje e que me possua. Hoje, e somente por hoje eu me deixarei ser sua.

Pela porta carona eu entro, no meu traje gabardine vermelho que encobre apenas a lingerie preta de renda mesclada com cetim.
Você de sobressalto me olha assustado. Percebo que sua expressão muda imediatamente ao encontrar com seus olhos, os meus.
Fita com os olhos minha boca entreaberta e com os lábios vermelhos, contempla meu olhar e entende que minha boca pede a sua.

Minhas mãos lentamente abrem os botões do casaco deixando agora os seios, a mostra.

Você, de imediato enuncia resposta.
Meu corpo enquanto obra de arte te proíbe o toque. Você tenta mais uma vez, eu recuso, desvio e me excedo. Mas, ao tocar com sua mão quente entre minhas coxas, covardemente, cedo.

Meu corpo agora é como beija flor, e meu êxtase está em voo.
Seus dedos dedilham os pequenos e grandes lábios da minha bucet@ como se tocassem em pétalas.
Sua boca sedenta e voraz encaixa perfeitamente e com vontade a aureola inteira do meu seio, e reveza de um para outro como se sua boca e língua pela primeira vez provassem o gosto do mais doce mel.

Seus dedos entram em mim e eu maldigo-te, me contorço e sinto que conquistei naquele momento a paz com a guerra que dessa vez, não lutei.
Apenas me entreguei me deixei vencer e gozei.

Por todo esse tempo matei vontades, hoje te respiro em desejos.

Abro meus olhos com seus dedos em minha boca, aqueles mesmos que adentraram ao ponto G.
Percebo agora que estás pronto. Ainda ardendo em vontade eu sento em você. A entrada é lenta e gera espasmos de prazer, eu deslizo com um encaixe perfeito e como se quisesse sentir cada pedacinho seu repito isso por algumas vezes.

Em seguida aumento o ritmo, subindo e descendo com vontade, gosto de te sentir em mim.
É na sua expressão facial que encontro o caminho que eu buscava, e nesse frenesi você reage, enchendo de você em mim.

Acabou-se o instante, objetivo concluído. Um beijo demorado nem uma palavra e cada um para o seu lado.

Eu, ainda sinto o pulsar daquele instante em que me permiti, ser eu.

Eloisa Prado

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Dia de Festa no Luxúria Cult - Cantos novos - Frederico Garcia Lorca

Diz a tarde: “Tenho sede de sombra!"
Diz a lua: “Eu, sede de luzeiros.”
A fonte cristalina pede lábios
e suspira o vento.

Eu tenho sede de aromas e de sorrisos,
sede de cantares novos
sem luas e sem lírios,
e sem amores mortos.

Um cantar de manhã que estremeça
os remansos quietos
do porvir. E encha de esperança
suas ondas e seus lodaçais.

Um cantar luminoso e repousado
cheio de pensamento,
virginal de tristezas e de angústias
e virginal de sonhos.

Cantar sem carne lírica que encha
de risos o silêncio
(um bando de pombas cegas
lançadas ao mistério)

Cantar que vá à alma das coisas
e à alma dos ventos
e que descanse por fim na alegria
do coração eterno.

Frederico Garcia Lorca




terça-feira, 30 de junho de 2020

Era só uma garrafa com tequila - Charro Sendero

Gostava daquele lugar, pois não era notado. 
Eu tinha um lugar para beber. 
Era como o nada. 
Os sombrios, saiam como chegavam, só. 
Eu não via aquilo como uma desordem... 
Mas, eles precisavam da felicidade. Eu bebia para a felicidade passar. Passatempo luxuoso. 
Era só uma garrafa com tequila dentro e ninguém do lado de fora.
Charro Sendero

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A vida e a morte - Charro Sendero

A Morte perguntou para a Vida: por quê todo mundo te ama e me odeia?
Com um leve sorriso, a vida respondeu:
"Eu sou uma bela mentira e você, uma verdade dolorosa.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Desenhado no Coração - Charro Sendero


Pensei
Numa noite
Depois, na lua
Com seu brilho
Com sua beleza
Com suas fases
Com seu vazio
Com suas faces
Para fazer este desenho
Depois olhar como
Com carinho
Como numa janela

Antes
Tracei os olhos
Que não me viram
As sombras
Da maquiagem
Inventando máscaras
Que escondem
Sentimentos
Depois a boca
Que, comigo, não falava
Há de se ter cuidado...
Lábios pequenos!
São para poucos
Beijos com devoção

As nuvens no céu
Escondendo
Devaneios
De cavalgada
Minha busca
E o vento
Soprava suavemente
Fio a fio nos cabelos
Dia a dia sonhado
Noite após noite
São muitos traços
Sem pressa
Pura contemplação

A cena estava definida
Tons de solidão
Logo,as partes
Separadas
Pela natureza
O volume dos seios
Como se os guardasse
Na palma de minhas mãos
No final
Não poderei tocar
Realidade
Não

Nunca
Para um cavaleiro
De todos os sonhos
Assim, diante do nada
Desenhei um coração
De rainha
Tão majestoso
Cercado e protegido
Guardando o próprio seio
E o outro desnudo?
Delicadamente
Arranquei o meu
Que, imponente
Oculta
Amores.

Para Farroupilha

sábado, 16 de maio de 2020

Noite Negra - Charro Sendero

Essa noite
Libertarei a paixão, 
Minha cobiça, 
Minha tentação, 
Minha fome 
Todos buscando
Seu gosto de fêmea 
E, é na madrugada 
De lua cheia 
Onde meu espírito impera 
Não há o que possa deter 
Meu desejo incandescente 
Ardendo no seu corpo. 
Pois, em noite negra
De Lua Cheia 
Um é a sombra do outro.

Charro Sendero

sexta-feira, 15 de maio de 2020

SONETO DE FIDELIDADE

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas 
que 
seja infinito 
enquanto dure.
Vinícius de Moraes São Paulo , 1946